Erro 1: começar por um sistema grande demais
A empolgação da primeira tela leva a pedir tudo: vendas, estoque, financeiro e RH num sistema só. O resultado é um sistema que faz tudo pela metade. Como evitar: escolha um problema que caiba numa frase e resolva só ele. O segundo sistema vem depois, e mais rápido.
Erro 2: descrever a tela em vez do problema
"Quero um botão azul no canto" não diz nada sobre o que o sistema precisa fazer. Como evitar: descreva quem usa, o que faz, que dados guarda, que regras segue e quando está pronto. O modelo completo está em como escrever a especificação que a IA entende.
Erro 3: pedir dez mudanças de uma vez
Quando várias coisas mudam juntas e algo quebra, ninguém sabe qual mudança causou o problema. Como evitar: uma mudança por pedido, teste, e só então a próxima. Guarde a versão que funciona antes das mudanças grandes.
Erro 4: testar com dados reais de clientes
Colar a planilha de clientes para ver o sistema funcionando é o atalho mais perigoso. Como evitar: invente os dados de teste; a própria IA gera cem contatos fictícios em segundos. Veja o que pode entrar num prompt.
Erro 5: publicar sem login e sem permissões
Um sistema interno sem login é uma planilha pública com outro nome: qualquer pessoa com o link vê tudo. Como evitar: peça o login desde a primeira versão e diga, na especificação, o que cada tipo de pessoa pode ver.
Erro 6: deixar o sistema na conta pessoal
Quem constrói cria a conta no próprio e-mail, e o sistema da empresa passa a depender de uma pessoa. Como evitar: a conta da plataforma, do banco de dados e do domínio fica no nome da empresa desde o primeiro dia.
Erro 7: não saber quanto o sistema custa por mês
O plano gratuito serve para testar. Um sistema em uso tem custo mensal, e às vezes mais de um serviço cobrando. Como evitar: antes de publicar, anote cada serviço, o plano e o valor, e quem aprova esse gasto.
Que lista conferir antes de publicar?
- O sistema resolve um problema, descrito numa frase.
- Existe uma especificação escrita, de uma página.
- O teste de pronto passou, feito por quem vai usar.
- Nenhum dado real entrou na conversa com a IA.
- Login ligado, e cada pessoa vê só o que é dela.
- Contas no nome da empresa.
- Custo mensal anotado e aprovado.
Como a IA erra, na prática?
Conhecer o jeito de errar da IA ajuda a pegar o erro cedo. Os mais comuns em sistemas feitos com vibe coding:
- Código que parece certo e não faz o que foi pedido. A tela aparece, o botão existe, mas a regra não está lá.
- Esquecer uma regra antiga ao fazer uma mudança nova. Você pede um campo novo e a permissão que funcionava deixa de funcionar.
- Inventar o que não foi dito: um campo, uma etapa, um tipo de usuário.
- Dizer que corrigiu sem ter corrigido. Sempre teste de novo depois de cada ajuste.
Como pedir para a IA corrigir um erro?
- O que eu fiz: entrei como vendedor e abri a lista de contatos.
- O que eu esperava: ver só os meus contatos.
- O que aconteceu: aparecem os contatos de todos os vendedores.
- Mensagem de erro, se houver: cole exatamente como apareceu.
- O que não pode mudar: o gerente continua vendo todos.
A última linha é a mais esquecida e a que mais evita o erro seguinte: dizer à IA o que já funciona e precisa continuar funcionando.
Quando recomeçar do zero é melhor que corrigir?
- Quando cada correção quebra outra coisa por três ou quatro pedidos seguidos.
- Quando o sistema cresceu sem especificação e ninguém sabe mais o que ele deveria fazer.
- Quando a primeira versão partiu de um prompt de uma linha.
Recomeçar com uma boa especificação leva menos tempo do que parece, porque agora você sabe exatamente o que quer. O modelo está em como escrever a especificação que a IA entende.
Perguntas frequentes
A IA erra muito no vibe coding?
Erra, e erra com confiança: gera código que parece certo e não faz o que foi pedido. Por isso o teste feito por quem vai usar é obrigatório. A boa notícia é que, descrevendo o erro com clareza, ela costuma corrigir no pedido seguinte.
Quando chamar um programador?
Quando o sistema passa a ser crítico para a empresa, lida com muito dado sensível ou precisa se integrar a sistemas complexos. Aí, uma revisão técnica vale o investimento. Para ferramentas internas pequenas, quem conhece o processo resolve.
Vibe coding serve para quem nunca programou?
Serve, e é para essa pessoa que eu ensino. O que decide o resultado é saber descrever o problema, e isso quem vive o problema faz melhor que ninguém.